Dezembro Laranja: No mês de Prevenção ao Câncer de Pele, o Extra conversou com a dermatologista Bethina Araújo
Foto: Arquivo Pessoal – Bethina Araújo Magnabosco (CRM 121.685).
Oficialmente o verão brasileiro começa no dia 22 de dezembro, no entanto, os dias estão cada vez mais quentes fazendo com que a sensação é que essa estação já esteja presente há muito tempo. Segundo a meteorologia, 2023 será o ano mais quente no Brasil desde os anos 1960.
Com os índices de altas temperaturas no país, os cuidados com a hidratação e alimentação precisam ter mais atenção. Além de todo o cuidado que precisamos ter como nosso organismo, a nossa pele necessita de cuidados redobrados pois ela é o maior órgão do nosso corpo.
De acordo com os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) em seu estudo ‘Estimativa 2023: Incidência de Câncer no Brasil’, o câncer de pele se destaca como o tipo mais prevalente no país, com projeção de 220 mil novos casos (31,3%) para o triênio de 2023 e 2025.
Este mês é dedicado à campanha Dezembro Laranja que foi criada no ano de 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, com o objetivo de prevenir o câncer de pele, que é o tumor de maior incidência no Brasil.
Medidas simples de proteção são importantes não apenas no verão, mas também na rotina diária, durante todo o ano.
Para falarmos sobre essas medidas de proteção e as causas da doença, a jornalista Mara Melo conversou com a médica dermatologista Dra. Bethina Araújo Magnabosco (CRM 121.685).
Mara Melo – O que é o câncer de pele?
Bethina Araújo – O câncer de pele é o resultado do crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele
Mara – Qual a diferença entre o câncer de pele melanoma e o não melanoma?
Bethina – De acordo com o tipo celular afetado, é definido os diferentes tipos de câncer.
Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, também conhecidos como não melanomas.
O Carcinoma basocelular (CBC), surge nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme.
O Carcinoma espinocelular (CEC), manifesta-se nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele.
O Melanoma, se origina nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele).
Mara – Por que a exposição solar em acesso pode aumentar o risco de câncer de pele?
Bethina – A exposição solar em excesso desprotegida aos raios UVA e UVB danifica o DNA nas células da pele, produzindo defeitos genéticos, ou mutações, que podem levar a câncer de pele.
Mara – Quais os critérios uma pessoa deveria adotar na hora de escolher um protetor solar?
Bethina – Existem diversos fatores que devem ser considerados na hora de escolher o protetor solar ideal para você.
1º Tipo de pele – pele normal (padrões ideais), oleosa (mais produção de gordura), seca (ressecada e quebradiça) e mista (partes oleosas e partes secas).
2º Tipo de protetor – esse fator se baseia em relação ao local em que o protetor solar será aplicado: corpo, rosto, lábios, cabelos
3º Fator de proteção – quanto mais clara a pele maior deve ser o FPS, pois os baixos índices de melanina (substância responsável pela coloração da epiderme) deixam a pele mais suscetível aos danos solares. Fatores mais elevados também são indicados para peles sensíveis, independentemente de sua tonalidade.
4º Condições específicas da pele – este item se refere principalmente à pele do rosto. Essa região é naturalmente mais sensível e está sujeita a condições específicas como acne, rosácea, melasma e outras. Nestes casos é importante usar um protetor com propriedades específicas, também classificados como dermocosméticos, que atuam tanto na proteção solar quanto no controle de oleosidade e outras questões.
O protetor solar deve ser aplicado de duas em duas horas e sempre depois de molhar-se, pois acaba se soltando com a transpiração e o contato com a água.
Mara – Além do protetor solar, quais são as outras medidas eficazes para prevenir esse tipo de câncer?
Bethina – Vale lembrar que outras medidas fotoprotetoras como usar chapéu ou boné; óculos escuros; roupas de mangas longas; procurar, na medida do possível, abrigar-se em sombras e evitar a exposição ao sol no período entre 10h e 16h, também devem ser adotadas.
Mara – Pessoas de pele negra também precisam usar protetor solar?
Bethina – A pele negra também precisa de proteção solar, mesmo com uma maior quantidade de melanina. O alto nível dessa proteína na pele colabora para o surgimento de manchas, o que pode ser evitado com o uso corretamente do protetor solar.
Mara – Qual o tipo de câncer de pele mais comum no Brasil?
Bethina – O Carcinoma Basocelular (CBC) é o mais prevalente dentre todos os tipos. Tem baixa letalidade. Surgem mais frequentemente em regiões expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. Podem se desenvolver também nas áreas não expostas, ainda que mais raramente. Em alguns casos, além da exposição ao sol, há outros fatores que desencadeiam seu surgimento. O tipo mais encontrado é o CBC nódulo-ulcerativo, que se traduz como uma pápula vermelha, brilhosa, com uma crosta central, que pode sangrar com facilidade.
O Carcinoma Espinocelular (CEC) é o segundo mais prevalente dentre todos os tipos de câncer de pele. Pode se desenvolver em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo, pescoço etc. A pele nessas regiões, normalmente, apresenta sinais de dano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade. O CEC é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres. Assim como outros tipos de câncer da pele, a exposição excessiva ao sol é a principal causa do CEC, mas não a única. Alguns casos da doença estão associados a feridas crônicas e cicatrizes na pele, uso de drogas antirrejeição de órgãos transplantados e exposição a certos agentes químicos ou à radiação. Normalmente, os CECs têm coloração avermelhada e se apresentam na forma de machucados ou feridas espessos e descamativos, que não cicatrizam e sangram ocasionalmente. Eles podem ter aparência similar à das verrugas.
O Melanoma é o tipo menos frequente dentre todos os cânceres da pele, e o que tem o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença. Essas lesões podem surgir em áreas difíceis de serem visualizadas pelo paciente, embora sejam mais comuns nas pernas, em mulheres; nos troncos, nos homens; e pescoço e rosto em ambos os sexos, pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, surgir de uma lesão melanocitica preexistente ou até mesmo de um nevo congênito “pinta” existente desde o nascimento.
Mara – Quando uma pinta pode indicar um câncer?
Bethina – A “pinta” ou “sinal” que muda de cor, formato ou tamanho, e que sangra com facilidade deve ser imediatamente investigada. Por isso, é importante observar a própria pele constantemente.
Mara – Para quais sinais uma pessoa precisa estar atenta, que pode sugerir se tratar de câncer de pele?
Bethina – Vale lembrar que uma lesão considerada “normal” para um leigo, pode ser suspeita para um médico.
Mara – Todo câncer de pele pode gerar metástase?
Bethina – Os Carcinomas Basocelulares raramente se espalham (formam metástases) para outras partes do corpo. Por outro lado, invadem e destroem lentamente os tecidos circundantes. Quando os Carcinomas Basocelulares crescem próximo dos olhos, da orelha, da boca, de um osso ou do cérebro, as consequências da invasão podem ser sérias e fatais. Mas, na maior parte das pessoas, os tumores limitam-se a crescer lentamente dentro da pele.
Nos Carcinomas Espinocelulares as metástases são incomuns, mas são mais prováveis em canceres que envolvem as superfícies da língua ou mucosas, que ocorrem perto das orelhas, borda dos lábios, em cicatrizes, ou que tenham invasão perineural.
Nos Melanomas o risco de metástase é alto, as lesões iniciais menores do que 4mm têm mais chance de ser curadas. Quando a espessura é maior do que 4mm, a doença ainda pode ser curada, mas o risco de metástases é mais alto.
Mara – O câncer de pele tem cura?
Bethina – Todo câncer de pele tem cura, quanto antes o diagnóstico e o tratamento maiores as chances de cura e menores as sequelas.