Dezembro Vermelho: Santa Fé do Sul intensifica a Campanha de Prevenção ao HIV/Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis
O último mês do calendário é destinado para a Campanha Dezembro Vermelho. O Núcleo de Atenção à Saúde de Santa Fé do Sul intensificou durante o mês a mobilização na luta contra o vírus HIV, a Aids e outras IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis).
A campanha é instituída pela Lei nº 13.504/2017, marca uma grande mobilização nacional na luta contra o vírus HIV, a Aids e outras IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), chamando a atenção para a prevenção, a assistência e a proteção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV.
É desenvolvida por um conjunto de atividades e mobilizações relacionadas ao enfrentamento ao HIV/Aids e às demais ISTs, em conformidade com os princípios do Sistema Único de Saúde, de modo integrado em toda a administração pública, com entidades da sociedade civil organizada e organismos internacionais.
Conversamos com a coordenadora Sílvia Benitez, que é responsável pelo Programa Municipal de IST/AIDS, em Santa Fé do Sul, para falarmos sobre a campanha.
Extra – O que é a Aids?
Sílvia – Quando a pessoa é diagnosticada com o HIV e Aids é realizado o exame de carga viral CD4. Na sorologia é possível saber se a pessoa tem HIV ou Aids. A partir do exame do CD4 a gente consegue identificar as células de defesa do corpo. Se está menor que 350 e o paciente tem sintomas, emagrecimento, perda de peso, lesões pela pele, esse paciente é diagnosticado com Aids. O paciente com HIV é aquele paciente que pode ter entrado em contato com o vírus e se ele realiza o exame, e a gente consegue já identificar no início, essa pessoa é notificada com HIV. Nós entramos com os antirretrovirais e esse paciente não vai evoluir para a Aids. Ela vai ter somente o HIV. Então, a diferença é o paciente com o HIV CD4 maior que 350 e não apresenta nenhum sintoma que é a evolução da doença. Só consegue descobrir realizando o teste, começa a tomar o antirretroviral não evolui para a Aids.
Extra – Quais são as principais ISTs?
Sílvia – Em relação as Infecções Sexualmente Transmissíveis que a gente consegue diagnosticar por teste rápido é o HIV, a Sífilis, Hepatite B e Hepatite C. Quando falamos das principais ISTs hoje o que mais temos preocupação é com o aumento expressivo do HIV, Aids e da Sífilis. A gente vê isso não só a nível municipal, mas temos visto através de estudos aí das notificações um aumento considerável com relação ao HIV e a Sífilis, principalmente a Sífilis que é uma doença bastante preocupante porque ela acomete o bebê pela transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho. E o HIV também, se o paciente não tratar e não começar a tomar o antirretroviral pode estar transmitindo para o bebê. Existe outras ISTs como a condiloma e gonorreia, mas temos um aumento considerável em relação ao HIV, Aids e Sífilis.
Extra – Quais cuidados o paciente deve ter ao descobrir que é soropositivo?
Sílvia – A primeira coisa a ser feita é a adesão ao tratamento, em caso positivo, a gente já faz a notificação, colhe exame de carga viral CD4 e já orienta o paciente para aderir ao tratamento.
Qual seria o tratamento?
O acompanhamento através de exames, e principalmente ao uso de antirretroviral, então todo o paciente que for diagnosticado com HIV ou com Aids ele já inicia o antirretroviral na primeira consulta. Com o uso do antirretroviral o paciente ficará após um ou dois meses dependendo da quantidade de vírus que tem no organismo, ele ficará com carga viral indetectável. Hoje, indetectável é igual intransmissível. Estudos mostram que o paciente que após seis meses de tratamento com antirretroviral ele não transmite mais. Aquele paciente que toma o medicamento de maneira certa, que acompanha através de exames, vem para a consulta esse paciente pode ter relação sexual sem uso de preservativo que ele não transmite mais o vírus. Lembrando que é aquele paciente após seis meses de tratamento que acompanha de maneira certa e realiza o exame, esse paciente não transmite mais.
Extra – Quais os meios de prevenção do HIV e ISTs?
Sílvia – O preservativo é o meio ainda mais eficaz para a prevenção pensando em todas as ISTs, porém, para o HIV e Aids a gente tem novas formas de prevenção que a chamada prevenção combinada do HIV. Alguns anos o Ministério da Saúde através de vários estudos científicos analisou que os jovens não usam preservativos mesmo sendo disponível em todos as Unidades de Saúde, disponíveis através de campanhas. Então, para a prevenção do HIV e Aids a gente tem a prevenção combinada do HIV. Temos a PEP que é profilaxia pós-exposição sexual, caso a pessoa tenha tido uma relação sexual o preservativo tenha estourado ou não usou, estava sob o efeito de álcool, drogas, não sabe com quem transou, enfim, está em uma situação de risco, é só procurar a gente aqui no NAS. Nós iremos entregar um medicamento que deverá ser tomado por 28 dias. Tem até 72 horas depois da exposição ao risco e nós acompanhamos aqui. Por se tratar de uma emergência, caso precise depois do horário de atendimento do NAS, inclusive aos finais de semana, essa medicação pode ser adquirida na UPA para evitar pegar o vírus do HIV.
Nós temos também a PrEP que é a profilaxia pré-exposição sexual também é uma prevenção indicado para um grupo específico para homem que faz sexo com homem e para profissionais do sexo.
Em relação a PrEP pode vir falar com a gente, não é uma situação de emergência, é uma situação de um acompanhamento ambulatorial onde a pessoa vem passa por uma avaliação conosco e nós agendamos uma consulta com o infectologista onde a pessoa vai começar a tomar o medicamento. Ela toma um remédio, diariamente.
E até quando a pessoa vai tomar esse medicamento?
Até quando ela estiver em situação de risco, se chegar um momento que ela não se encontra mais naquela situação, e poderá de tomar o medicamento. Lembrando que a PrEP é só para prevenir o vírus do HIV. O preservativo é ainda o meio mais eficaz para a prevenção de todas as ISTs.
Temos também o gel lubrificante que é considerável como meio de prevenção, porém, assim ele diminui o risco de adquirir o risco do HIV. Principalmente para relação sexual anal quando ocorre o atrito pode sangrar bastante, então usando o gel lubrificante vai diminuir esse atrito e não vai ter esse sangramento diminuindo o risco de pegar o vírus do HIV.
Tem ainda o diagnóstico como forma de prevenção porque esse diagnóstico precoce a pessoa que estiver com o vírus do HIV com carga viral muito baixa tomando o medicamento não vai mais transmitir mais para outras pessoas.
Extra – Quais as campanhas são realizadas no município?
Sílvia – Em relação as campanhas nós temos o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) itinerante onde rodamos realizando os testes de HIV, Sífilis, Hepatite B e C com os testes que saem o resultado em 5 minutos. Durante o ano todo, nós temos a parceria com a prefeitura municipal, saúde nos bairros. Este ano nós percorremos todos os bairros da cidade e na praça pública também quando ocorre algum tipo de campanha. Agora nós fechamos o ano com o Fique Sabendo que é a campanha de diagnóstico de HIV e Sífilis onde realizamos principalmente voltado para os jovens, que ficou na universidade durante dois dias com o CTA itinerante durante o dia e a noite procurando atingir todos os alunos.
Nós fizemos uma intensificação voltada para os trabalhadores onde fomos nas grandes empresas do município com o CTA itinerante para fazer os testes naquelas pessoas que talvez consiga vir até nós durante o ano. Então, por esse motivo fizemos voltada para o trabalhador. Finalizamos na última sexta-feira, 06 de dezembro.
No CTA itinerante nós realizamos além das testagens também orientamos com os insumos de prevenção, preservativos feminino, masculino e gel lubrificante.
Extra – Como tem sido o resultado da campanha em Santa Fé do Sul?
Sílvia – O resultado de campanha e prevenção que nós realizamos e muito válido porque as pessoas aderem a realização do teste. Elas ouvem a gente no momento em relação a prevenção. E o intuito é que as pessoas sempre procurem a gente toda vez em que estiver em uma situação de risco. Através dessas campanhas a gente analisa que é positivo porque depois de toda essa conscientização depois de levarmos a PrEP e PEP as pessoas vêm nos procurar tornando uma forma positiva através dessas campanhas.
O Programa Municipal de IST/AIDS acontece durante todo o ano no NAS – Núcleo de Atenção à Saúde no endereço: Rua Sete, nº585 – Centro – Santa Fé do Sul/SP